ETFs vão dominar as carteiras dos brasileiros ou ainda são só coadjuvantes na alocação?

ETFs – o que são e por que falar deles agora?

Antes de tudo, um aviso importante: não é uma recomendação de compra ou venda de ativos. Os códigos citados servem apenas como exemplo e ilustração; qualquer decisão de investimento deve considerar seu perfil, objetivos e planejamento pessoal.

O que são ETFs, na prática?

ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de índice cujas cotas são negociadas em bolsa como se fossem ações. A proposta é simples: replicar o desempenho de um índice de mercado – de ações, renda fixa, commodities, criptoativos ou mesmo uma tese específica – permitindo que, com uma única cota, o você tenha acesso a uma carteira inteira de ativos pré-definida.​​

Daí nasce a primeira grande vantagem: diversificação de baixo custo. Com poucos ETFs é possível montar uma carteira global, diversificada por classe de ativo, região e fator de risco, sem precisar escolher ativo por ativo.

Onde o Brasil está nessa história?

O mercado brasileiro de ETFs vive um ciclo claro de expansão, com crescimento forte em número de investidores, patrimônio e variedade de produtos. O movimento é puxado por três vetores principais: maior educação financeira, frustração com parte dos multimercados tradicionais e busca por estruturas mais baratas e transparentes do que fundos discricionários.

Desde 2020, o número de pessoas físicas com ETFs na custódia vem avançando de forma expressiva, chegando a centenas de milhares de investidores e batendo recordes de patrimônio sob gestão. Ainda assim, estamos longe de uma “massificação” do produto em comparação com mercados mais maduros.

Segundo dados da B3, foco em ETFs, houve um crescimento relevante do terceiro trimestre de 2024 para 2025, evoluindo de 551mil para 668mil investidores, um crescimento de 21% em reação ao período anterior.

Um zoom apenas em ETFs, foco do estudo, mais investidores e maior posição total. As pessoas físicas hoje são responsáveis por mais de 35% do volume custodiado de ETFs.

Crescimento rápido, mas ainda tímido

Mesmo com esse avanço, só cerca de 10% dos investidores pessoa física no Brasil têm ETFs na carteira, contra algo próximo de 50% nos Estados Unidos e por volta de 20% na Europa. O número de brasileiros que utilizam ETFs até vem crescendo rápido – passou de algo próximo a 42 mil investidores em 2018 para mais de 600 mil em 2025, um avanço de cerca de 15 vezes –, mas, mesmo assim, o produto ainda está longe de ser visto como escolha “automática” pelo investidor.

Em nível global, o patrimônio de ETFs saltou de algo próximo a US$ 3 trilhões para algo em torno de US$ 17 trilhões em cerca de uma década, com os Estados Unidos respondendo por aproximadamente 65% desse volume.

No Brasil, porém, os ETFs ainda representam só cerca de 1% da indústria de fundos, ao passo que, nos EUA, já respondem por algo em torno de um terço desse mercado.  Com um patrimônio de ~R$ 62,6 bilhões, frente a uma indústria de R$ 10,6 trilhões notamos uma baixa representatividade, mas um aumento no número de ETFs (atualmente 149) e, consequentemente, um aumento do patrimônio.

Fonte: Anbima

O que está acontecendo nos EUA

Enquanto o Brasil consolida a fase “básica” dos ETFs, o mercado americano já entrou em uma nova etapa: a dos ETFs de gestão ativa.​

As projeções de diferentes gestores apontam que os ETFs ativos tendem a multiplicar de tamanho ao longo da próxima década, podendo crescer várias vezes em relação ao volume atual e ganhar uma fatia relevante dentro do universo total de ETFs. Isso reforça a ideia de que a estrutura “ETF” não é apenas um modismo, mas um veículo que deve permanecer no centro da indústria de investimentos.

A indústria global de ETFs movimenta cerca de 10,1 trilhões de dólares em ativos sob gestão, um aumento em torno de 5% em relação aos 9,6 trilhões observados um ano antes. Hoje são aproximadamente 11.000 ETFs listados no mundo, dos quais quase 7.000 estão concentrados em Estados Unidos e Europa, reforçando o papel desses mercados como polos dominantes de desenvolvimento e liquidez para a indústria.

Para o investidor, essa combinação de escala, profundidade de mercado e diversidade de estratégias consolida o ETF como instrumento central de alocação global, permitindo acesso eficiente a diferentes classes de ativos, regiões e estilos de gestão em um formato padronizado e de baixo custo.

Um dado relevante é que, nos últimos anos, a maior parte dos fluxos globais para ações tem saído de fundos mútuos tradicionais e migrado para ETFs, enquanto a briga entre gestão ativa e passiva acontece cada vez mais dentro do universo de ETFs, e não apenas entre fundos. Em outras palavras, muitos investidores institucionais e individuais deixam de usar fundos abertos clássicos para acessar tanto beta barato quanto estratégias ativas via ETF, aproveitando a combinação de taxa menor, transparência diária e possibilidade de operar em bolsa. Caso deseje aprofundar-se, veja mais sobre.

Entre os grandes players globais, casas como o JPMorgan já se movimentam com força nesse segmento, atuando tanto em ETFs passivos quanto na fronteira dos ETFs de gestão ativa, o que reforça a visão de que essa estrutura deve continuar ganhando relevância nas carteiras mundo afora.

ETFs ativos:

ETFs ativos nos Estados Unidos crescerão de US$ 856 bilhões em 2024 para US$ 11 trilhões até o final de 2035, um aumento de 13 vezes.


Fonte: https://www.deloitte.com/us/en/insights/industry/financial-services/financial-services-industry-predictions/2025/etf-growth-market-opportunities.html

No Brasil, ainda não existem ETFs ativos listados, mas a CVM já discute a regulamentação dessa categoria, e a expectativa é que os primeiros produtos cheguem à B3 por volta de 2026. Caso esse cronograma se confirme, abre-se uma nova avenida de crescimento para o mercado local: primeiro com ETFs passivos de ações e renda fixa, depois com produtos temáticos e internacionais, e, na sequência, com estratégias ativas embaladas no formato ETF.

ETFs temáticos:

Investimentos temáticos vêm ganhando cada vez mais espaço como complemento eficiente para diversificar carteiras, e os ETFs aparecem como uma das formas mais diretas e simples de acessar esses temas em escala global. Por exemplo, o setor de cibersegurança (ETF internacional chamado BUG ou BBUG39 na B3) é crucial para o futuro dos mercados globais, dada a escalada de ataques e a digitalização acelerada da economia.

ETF comparativo:

Um estudo gráfico interessante que me deparei no linkedin descrevo abaixo o racional por trás da imagem.

O gráfico visa o entendimento da eficiência, vantagens dos ETFs de renda fixa, que possibilita diferir o pagamento do imposto de renda, o que reforça o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.​ No exemplo acima, dois instrumentos que replicam exatamente a mesma performance do índice IMA-B, ambos com um aporte inicial de R$ 1.000,00:​

  • no primeiro, o investidor paga IR a cada 5 anos;
  • no segundo, via ETF, o imposto é cobrado apenas na venda das cotas.

Após 20 anos, considerando a venda de 100% das posições, o resultado seria:

  • ETF: R$ 8.642
  • instrumento com vencimento a cada 5 anos: R$ 7.602

Ou seja, uma diferença de 13,8% a favor do ETF, explicada unicamente pelo diferimento do imposto. Quando o IR é pago periodicamente, o capital sobre o qual incidem os juros compostos encolhe a cada ciclo, reduzindo o montante final acumulado.​


Por fim, esse universo é muito amplo e está em crescimento, muito cuidado. Ter resultados consistentes não exige muito dinheiro nem estratégias mirabolantes; na prática, o ponto de partida é o investidor entender com clareza o que busca (acumulação, renda, preservação), qual o nível de oscilação que consegue tolerar e quanta liquidez realmente precisa manter.

Se esse tema faz sentido para você – seja para revisar sua carteira atual, seja para desenhar uma estratégia mais global e eficiente em custos, saiba que contar com um profissional alinhado aos seus interesses, que ajude a traduzir objetivos em alocação, costuma acelerar muito esse processo de evolução e crescimento patrimonial.

ETFs são a prova de que, no mundo dos investimentos, quem vence não é quem complica mais a carteira, e sim quem usa a simplicidade certa para estar bem exposto ao que realmente importa no longo prazo.”


Apoio:


ETFs Listados na B3ETF Global 

Trilha de educação da B3 “Como investir em ETF” e Simulador de Portfólios com ETFs


Referências para conhecer o quão grande é esse universo [ LINK ]. Gosto desse site ETFs Brasil, muitas informações individualizadas por ativo.



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