A força do mercado americano e o futuro da diversificação patrimonial


Muitos clientes me perguntam, como investir em um cenário de instabilidade – cotidiano econômico brasileiro? Investir no mercado americano não é apenas uma estratégia tática – é o caminho para resiliência e crescimento patrimonial, especialmente em um cenário econômico nacional imprevisível.

Não tem muito tempo, no final do ano de 2024, o dólar atingiu suas máximas, e mesmo assim existe o discurso de alguns que “não comemos dólar“, o meu papel com esse texto é deixar claro que não podemos esquecer do verdadeiro poder americano. Se pretende diversificar sua carteira em ativos dolarizados não foque apenas em acertar o time da cotação do dólar, pois independente o mercado sempre diz: o dólar caro é o que você não possui! Dito isso sabemos que faz sentido investir em dólar, na importância do mesmo em uma diversificação de carteira.

Podemos resumir em principais pontos:

– Diluição de Riscos Cambiais;
– Proteção contra Inflação Local;
– Acesso a Mercados Globais;
– Hedge contra Riscos Políticos e Econômicos Locais;
– Diversificação Setorial e Geográfica;


Agora, falando da força do mercado americano, não é de hoje que as manchetes surgem alertando sobre a suposta decadência do dólar e dos Estados Unidos tomam conta dos noticiários. Em termos históricos tivemos nos anos 40 o acordo de Bretton Woods, foi um sistema monetário internacional estabelecido em julho de 1944, durante uma conferência em Bretton Woods, nos EUA, com o objetivo de garantir a estabilidade das taxas de câmbio, promover o livre comércio e auxiliar na reconstrução económica do pós-guerra. O acordo definiu o dólar americano como a moeda de reserva internacional, ligada ao ouro, e resultou na criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que deu origem ao Banco Mundial.

Força

Nessa linha o fim da dolarização passou por muitas crises recentes como congresso americano, subprime, pandemias e desafios geopolíticos, torres gêmeas, guerras, é sempre anunciado o colapso americano, que nunca se concretiza. Lembremos do grande investidor Warren Buffett que se posiciona a favor do País: “Never bet against America”. Gráfico abaixo a evolução do dólar.

Vale lembrar que os EUA são responsáveis pela vanguarda em inteligência artificial, tecnologia, cloud computing, e-commerce e diversas revoluções industriais, o que mantém o dinamismo do ciclo econômico e altera, em poucos anos, a composição das maiores companhias do S&P 500 – que evoluiu de empresas de capital intensivo para líderes da Nova Economia. Note que o top 10 das empresas do S&P 500, é predominante as empresas de tecnologia e tais empresas são lideres globais.

Fonte: S&P 500 Companies by Weight / Pesquisado em 09/setembro de 2025 às 23h22

Outra visão interessante é avaliar os principais ativos por capitalização de mercado, interessante ver as empresas americanas liderando a lista dos 15 primeiros colocados, em destaque NVIDIA a empresa de USD 4 Trilhões. Isso vem ao encontro que há um movimento global de internacionalização do capital impulsionado por uma inédita onda de transferência de riqueza estimada em US$ 124 trilhões até 2048 (com US$ 9 trilhões só do Brasil). Jovens já priorizam aportes diretamente em empresas dos EUA, investindo mais em Google, Nvidia, Coinbase, Tesla, do que em empresas domésticas tradicionais.

Mesmo com esses dados o Brasil investe muito pouco fora, mas esse cenário tende a mudar dez vezes nos próximos anos, afinal a internacionalizar patrimônio deixou de ser opção e virou necessidade vital para quem quer preservar poder de compra e construir resiliência financeira.

As 6 maiores empresas do S&P 500 têm um valor de mercado combinado de 20 tri de dólares, maior do que o PIB da 🇨🇳 China, a 2ª maior economia do mundo.

Fonte: https://companiesmarketcap.com/assets-by-market-cap/ / Pesquisado em 09/setembro de 2025 às 23h22

Não há dúvidas que as cifras ilustram o tamanho do fenômeno americano. Empresas como a Nvidia multiplicaram seu valor de mercado em trilhões de dólares em poucos anos, e hoje, nove das dez maiores companhias do mundo têm sede nos EUA. Além disso, os EUA concentram a maior parte das multinacionais e contam com cerca de mil empresas estrangeiras listadas em sua bolsa, abrigando um universo de oportunidades de investimento muito além dos nomes domésticos.

Ao contrário dos rumores, nunca houve tanta entrada de investidores estrangeiros no mercado acionário americano. Atualmente, cerca de 18% do capital das maiores empresas dos EUA está nas mãos de não residentes – um salto em relação aos 5% de meados dos anos 1990, impulsionado pela globalização e maior sofisticação dos fluxos financeiros globais.

Bom, isso reforça a importância de uma estratégia de alocação internacional não apenas como resposta a movimentos táticos de mercado, mas como parte estrutural da gestão de patrimônio. Enquanto o brasileiro médium mantém somente 2,5% do patrimônio fora do país, em países mais desenvolvidos e financeiramente educados, esse percentual é muito maior. Esse comportamento está associado a maior estabilidade política, PIB per capita elevado, juros baixos e economias abertas – elementos fundamentais para a resiliência do capital.

Em um estudo da FGV o percentual sugerido de aplicação em dólar é de, no mínimo, 16% do portfólio de ativos do investidor internacionalizado.

Apesar das narrativas recorrentes sobre o “fim do dólar”, ele permanece responsável por cerca de 90% das transações cambiais globais.

Os EUA reúnem menos de 4% da população mundial, mas produzem 25% da riqueza global e consomem 30% do que é fabricado no planeta. O tamanho da economia impressiona: em 2011, o PIB americano era seis vezes o do Brasil; hoje, é doze vezes maior.

Migração de Riqueza

Com a maior transferência geracional de riquezas da história em curso – US$ 84 trilhões globalmente, dos quais US$ 9 trilhões no Brasil –, os jovens já nascem conectados à economia global. Buscam Google, Apple, Bitcoin e novas experiências fora do universo dos ativos tradicionais nacionais. O ciclo natural das famílias (educação internacional dos filhos, expansão patrimonial global, desejo por resiliência) torna a diversificação não só uma estratégia financeira, mas também uma necessidade cultural e social.

Dólar vs Real

Interessante a visão abaixo que cruza a evolução da moeda pós criação do plano real, onde inicialmente as cotações eram 1 para 1.

Fonte: O Poder 360

Mesmo com esse histórico de alta, estamos em uma ótima janela dado que o dólar que fechou em 2024 em uma lata expressiva, apresenta uma queda representativa em 2025, conforme dados 22 de set., 16:26:18.

Com isso…

O mercado americano permanece como epicentro de liquidez, inovação e oportunidades. O melhor momento para investir internacionalmente sempre foi o passado, mas o segundo melhor momento é hoje – e, dada a velocidade das mudanças e o volume de riqueza em transição, adiar esse movimento é abrir mão de resiliência, crescimento e proteção patrimonial. O exemplo institucional do Banco Central brasileiro dolarizando suas reservas é claro: resiliência financeira, em escala individual e coletiva, depende da abertura ao exterior.


Por fim, fica o ensinamento que não existe prosperidade duradoura sem resiliência financeira e alocação estrutural em ativos globais.



Fonte de insights Diáspora Patrimonial - Palestra com Daniel Haddad | Avenue Connection 2025

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