
A guerra comercial com ataques de porcentagem entre EUA e China esfriou. Agora, o presidente Donald Trump virou a mira para a América do Sul. No final da noite de ontem tivemos o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, representa um marco nas relações comerciais entre Brasil e EUA. A medida, de forte cunho político (além das tarifas é citado o ex-presidente Jair Bolsonaro e as decisões do SFT em relação as big techs) e econômico, surpreendeu o mercado e trouxe incertezas para exportadores, investidores e para o próprio governo brasileiro.
O presidente Trump divulgou a carta em sua rede social1, após repercussões iniciais nos portais de notícias e redes sociais, o governo brasileiro rapidamente reuniu-se enquanto o mercado estava na expectativa de qual seria tom dado em resposta inicial, se visando um acordo ou um tom mais forte. Nesse meio tempo vários políticos direcionaram a culpa ao governo brasileiro, que dias anteriores estava trocando farpas como presidente americano que mencionou tarifa aos Brics.

Fonte: CNN BRASIL
O presidente Lula, após reunião, em sua página na rede social X (antigo twitter) direcionou um comunicado mencionando sobre a soberania brasileira e que poderia haver reciprocidade nas tarifações.

Fonte: LULA
Pontos
- EUA como parceiro estratégico: Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por cerca de 12% das exportações e 15% das importações brasileiras, totalizando US$ 40,3 bilhões em 2024 — o equivalente a 1,9% do PIB nacional.
- Motivações políticas: Trump justificou a medida citando supostas injustiças comerciais, perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro e decisões do STF contra empresas americanas. O presidente americano também ameaçou aumentar ainda mais as tarifas caso o Brasil adote medidas de retaliação em igual magnitude.
- Reação brasileira: O presidente Lula respondeu que o Brasil utilizará a Lei de Reciprocidade Econômica caso as tarifas sejam efetivadas, defendendo a independência do sistema judiciário brasileiro e ressaltando o superávit americano na balança comercial bilateral
Principais companhias impactadas
- Embraer: Maior exposição, com potencial redução de margem EBIT de 5 a 6 pontos percentuais em cenário adverso.
- Suzano e Tupy: Também fortemente impactadas, mas com possibilidade de redirecionamento parcial de vendas.
- Minerva: Exportações de carne bovina podem ser redirecionadas, mas com perda de margens devido à concorrência e preços menores em outros mercados.

Fonte: Impactos das tarifas dos EUA sobre o Brasil – XP Investimentos
10 produtos exportados do Brasil para os EUA
Commodities como petróleo, ferro, aço e celulose lideram a pauta exportadora e podem ser redirecionadas, mas com ajustes de preço e margens

Fonte: Impactos das tarifas dos EUA sobre o Brasil – XP Investimentos
Impacto Geral
Embora os EUA representem “só” 12% das exportações brasileiras, são nosso segundo maior parceiro comercial. Em 2024, vendemos US$ 40,3 bilhões para eles. O impacto no PIB é pequeno (2,2%), mas o estrago nas empresas, regiões e empregos pode ser enorme.

Petróleo e derivados
- US$ 7,6 bi – 18,85% das exportações para os EUA
Ferro e Aço
- US$ 5,9 bi – 14,7%
- Já enfrentam 25% de tarifa extra nos EUA
- Com 50%, o mercado praticamente fecha
- Impacto direto em ES e MG
Aeronaves e Equipamentos
- 6,85% da pauta
- Produtos da Embraer, peças e componentes
- Risco de perda para concorrentes americanos e canadenses
Café, carnes, frutas, celulose
- De 3% a 5% da pauta cada
- Produtos agrícolas que competem em preço perdem espaço para Colômbia, Vietnã, Argentina etc.
Desdobramentos Políticos, Perspectivas e Oportunidades
- Risco de retaliação: O Brasil pode adotar tarifas sobre produtos americanos, elevando custos de produção e pressionando a inflação local.
- Reação do mercado: O anúncio provocou queda na bolsa brasileira (-2,44%), alta do dólar (+2,28%) e abertura dos juros futuros, refletindo o aumento da percepção de risco e a vulnerabilidade do real.
- Investimento estrangeiro: O ambiente de incerteza pode reduzir o apetite do investidor estrangeiro e afetar fluxos de investimento direto no Brasil.
- Negociações em aberto: Até 1º de agosto, há espaço para negociações diplomáticas, mas o tom político do anúncio dificulta um acordo rápido.
- Oportunidades de reprecificação: A volatilidade pode criar oportunidades para investidores atentos a ativos excessivamente descontados.
- Diversificação de mercados: Exportadores brasileiros já buscam alternativas para reduzir dependência dos EUA, acelerando acordos bilaterais e regionais.
Racionalidade
A imposição de tarifas de 50% pelos EUA sobre produtos brasileiros marca um novo capítulo de incerteza no comércio internacional. O impacto macroeconômico tende a ser limitado devido ao perfil das exportações brasileiras, mas os efeitos microeconômicos e políticos são significativos, exigindo atenção redobrada de empresas, investidores e formuladores de políticas públicas.
Para o investidor, o momento pede racionalidade: evite decisões precipitadas diante da volatilidade inicial e movimentos temporários. O ajuste de preços tende a ser rápido, e o impacto pode se mostrar passageiro, principalmente para empresas pouco expostas ao mercado americano. Aproveite quedas generalizadas para avaliar oportunidades em ativos de qualidade, sempre analisando profundamente os fundamentos das empresas e respeitando sua liquidez e perfil de risco.
Em momentos de forte volatilidade e quedas acentuadas do mercado, como o cenário atual provocado pelas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, a racionalidade sugere cautela e disciplina. O investidor com apetite a risco pode enxergar oportunidades em empresas sólidas e com bons fundamentos, aproveitando a máxima do mercado: “compre ao som dos canhões e venda ao som dos violinos“.
Fundamental evitar decisões precipitadas, especialmente para quem já está posicionado em ações expostas ao comércio com os Estados Unidos. A recomendação é analisar profundamente os fundamentos das empresas, buscando a diferença entre preço e valor, e considerar compras apenas se a liquidez pessoal não for comprometida. O momento pede paciência, observação das próximas movimentações do governo e do mercado, e foco em decisões baseadas em análise, não em emoções ou manchetes.
Em resumo, a postura mais sensata é manter disciplina, cautela e foco no longo prazo, evitando agir por impulso diante de manchetes ou oscilações pontuais do mercado.
Aguardamos os próximos capítulos, cientes de que o tom político da medida já antecipa o início do ciclo eleitoral de 2026.
- Carta Trump ↩︎

Carta Trump (Tradução):
9 de julho de 2025
Sua Excelência
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
Brasília
Prezado Sr. Presidente:
Conheci e tratei com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!
Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a essa tarifa mais alta.
Além disso, tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial com o Brasil e concluímos que precisamos nos afastar da longa e muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil. Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco.
Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos tudo o possível para aprovar rapidamente, de forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de semanas.
Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!
Além disso, devido aos ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.
Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas tarifas, políticas não tarifárias e barreiras comerciais, nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América.
Muito obrigado por sua atenção a este assunto!
Com os melhores votos, sou,
Atenciosamente,
DONALD J. TRUMP
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA