
Bolsa: Cassino ou Estratégia?
Antes da pandemia tivemos um boom na bolsa, com alta superior a 30%. Esse cenário provocou um efeito manada: muita gente buscou risco em renda variável, impulsionada por influenciadores e pela queda dos juros. Como nossa nação ainda carece de educação financeira, e somos imediatistas, muitos buscaram seu “pote de ouro” sem preparo. Com a pandemia e a alta volatilidade, inúmeros traders tentaram lucrar nas oscilações do mercado, resultando em um prejuízo coletivo de R$ 9,9 bilhões.
Entre março de 2020 e dezembro de 2023, investidores de varejo acumularam perdas brutas de R$9,9 bilhões (média de R$10,2 mil por pessoa), sem considerar taxas e outros custos. O estudo da FGV revelou que quase 1 milhão de brasileiros entrou na febre do day trade (aquela operação em que você compra e vende o mesmo ativo no mesmo dia, achando que vai sair rico antes do almoço… só que não). Os mais ricos perderam mais em valores absolutos, mas os mais pobres sentiram o golpe com mais força.
Número total de pessoas ativas em operações de day trade em contratos futuros, por dia, no período de 2017 a 2023. Antes da pandemia, havia cerca de 40 mil “traders” por dia, Depois, o número saltou para 90-100 mil.

Fonte: Estudo FGV
Segundo estudo esse foi o lucro bruto total diário das pessoas físicas que realizaram operações de day trade em contratos futuro.

Fonte: Estudo FGV
Segundo estudo, 96% dos dias terminaram em prejuízo, o estudo aponta que a lógica é simples: pessoas físicas competem contra máquinas, algoritmos e instituições que jogam em outro campeonato. É como desafiar o Michael Phelps, maior nadador olímpico da história, para uma competição depois de fazer algumas aulas na piscina do condomínio.
Alguns “trades” migraram do mercado de capitais para Tigrinho e Bets, em busca do sonho: ganhar dinheiro rápido sem sair de casa. Buscando outro local/forma de perder dinheiro.
Em minha opinião: buscar ganho rápido acima do risco aceitável só gera um resultado — prejuízo. Como um amigo diz: “tenha dó do seu dinheiro… ele não aceita desaforo.”
Existem pessoas que ganham?
Não sou contrário à estratégia em si, embora ela não faça parte do meu portfólio ou filosofia de longo prazo, mas em anos de experiência no mercado e pessoas entendo que existem riscos evidenciados para investidores imediatistas e despreparados, porém é fundamental reconhecer que o universo do trading profissional é marcado por disciplina, estudo contínuo e dedicação integral.
Existem alguns profissionais do mercado que dedicam horas ao desenvolvimento de estratégias, análise de riscos e gestão emocional, tratando o trading como uma atividade séria e estruturada, não como busca por lucro fácil. O alerta do texto anterior é direcionado àqueles que pretendem se aventurar sem preparo — não àqueles que fazem disso uma carreira e buscam constante aprimoramento.
Muito cuidado com os vendedores de lucro que no final só querem vender seus cursos, eu penso que no final de tudo seja o amador ou profissional, todos somos sardinhas nadando com tubarões.
Encerro com uma reflexão para ambos, um texto compartilhado por um amigo (livro “O Trader Vencedor”): o sucesso exige rigidez nas regras e flexibilidade nas expectativas, reconhecendo que o mercado não se adapta às vontades pessoais, mas sim exige adaptação, preparo e respeito às suas próprias dinâmicas.
Tenha dó do seu dinheiro… Ele não aceita desaforo!

Este texto não constitui recomendação de investimento, mas sim uma reflexão educativa sobre riscos e dinâmicas do mercado. Cada investidor precisa considerar seu perfil, tolerância a risco e horizonte de tempo antes de tomar qualquer decisão financeira. Caso queira compreender melhor sua situação ou discutir estratégias adequadas à sua realidade, estou à disposição para orientar e ajudar na construção de um plano alinhado aos seus objetivos.
Acesse o estudo: https://portal.fgv.br/sites/default/files/uploads/eesp-pesquisa-day-trade-e-pandemia.pdf
Livro: O trader vencedor